pássaro, peixes, abelha e bicho monstruoso, por Arthur.

Um pássaro, dois peixes (sendo um deles um peixe-espinho, uma abelha e um bicho monstruoso saíram da cabeça de Arthur. Ele é um menino-surpresa que chegou recentemente no ateliê. E também é só sorrisos e doçura em meio a alguma timidez. Pequeno e presente, numa turma de grandalhões verborrágicos. Arthur fala pouco, olha muito e tenta entender mais ainda. O mundo está muito aí para Arthur, e seu corpo quer saber e quer estar. Tem uma ginga rápida e sábia quando ele mexe suas pernas e braços que chegam sempre antes de seu tronco, ganhando espaço em meio aos corpos grandalhões de seus colegas. Arthur não fala e ao mesmo tempo diz tantas coisas na sua presença de Pajé. Tem uma antiguidade na alma de Arthur. Uma beleza secular em sua infância atenta e silenciosa. Quando ele é convocado e diz, imposta a voz porque falar é um acontecimento. Eu já fui Arthur nesse e em muitos outros pontos. Eu sei Arthur e ao mesmo tempo muito do meu amor por ele está em não sabê-lo. Arthur acontece na minha frente com a urgência de quem quer existir. E eu só assisto maravilhada a esse menino-mistério. Arthur caminha resistindo e desconstruindo padrões em meio a pré-adolescentes querendo aproximar suas produções artísticas de seus desejos de pertencimento padronizados. No final de cada encontro no ateliê, ele exibe suas criações com seu universo e traçado cheios de presença e personalidade, e um mundo contagiante de novas possibilidades aparece na frente de quem está por perto assistindo. A presença de Arthur é imprescindível. E me ajuda a dizer o que muitas vezes é indizível. {belezas são coisas acesas por dentro}

Artista visual, utilizando a educação como ferramenta e praticando encontros que tem a arte como mote em alguns lugares de SP . http://julianacordaro.com

Artista visual, utilizando a educação como ferramenta e praticando encontros que tem a arte como mote em alguns lugares de SP . http://julianacordaro.com